Às vezes, fico a imaginar se não há um recanto onde se escondem os sonhos e a magia de viver resplandece na paisagem, em cada trinado de um passarinho ou num singelo bailado de uma borboleta.
Sim... Há tanto espaço à nossa volta onde os sorrisos, suspiros e fantasias repousam na placidez da paisagem. Mas nosso olhar, sempre voltado para um lado oposto, enche-se com a poluição de cada segundo, transformada em lágrimas de decepcionante aflição.
Vivemos na marcha a ré dos fatos e nos esquecemos de avançar firmes, em direção ao progresso. Não da matéria, mas do espírito. Porque o espírito, mais que esta indumentária inerte que é o corpo, necessita muito, muito mais de alimento...
Algo que só consegue entender quem, naturalmente, fica horas intermináveis a admirar o desfecho de uma onda do mar, ou o voo incerto de um pássaro que se perde no horizonte, para encontrar-se no belo pôr-de-sol...
Céu Arder