São dez anos de convívio e está senpre com a mesma expressão de menina levada. Algo que me fala ao coração é esse seu jeito indisciplinado de ser, como eu quando criança: irrequieta e sagaz, não deixava que nada estragasse o meu bom humor!
Comparar cães com gente?! - dirá o leitor um tanto ofendido... Não. Eu não cometeria essa injustiça com os cães. Imagine, se gente tem a sabedoria e humildade desses seres tão perfeitos!
Minha Bia tem a gentileza das princesas e a paciência de Jó. Certa vez ela, saída de uma sedação por conta de uma pequena cirurgia, mordeu-me as costas da mão, e sangrou. A doce donzela não sabia o que fazer para consertar o seu erro. Deixei-a de castigo, alguns dias sem entrar em casa.
Precisava ver a mágoa que se formou no olhar; como uma pessoa ferida em seu orgulho mais íntimo.
- "Como uma mãe pode fazer isso à sua filhinha adorada?!" - devia ter pensado. E o pior veio depois: quando liberei a porta de entrada para que viesse, novamente, saudar-nos como sempre fazia, Bia simplesmente emburrou o focinho, feito criança birrenta, e saiu, toda rebolativa em direção oposta, como a dizer: "nem morta!".
- "Como uma mãe pode fazer isso à sua filhinha adorada?!" - devia ter pensado. E o pior veio depois: quando liberei a porta de entrada para que viesse, novamente, saudar-nos como sempre fazia, Bia simplesmente emburrou o focinho, feito criança birrenta, e saiu, toda rebolativa em direção oposta, como a dizer: "nem morta!".
Mas essa zanga disfarçada não durou mais que alguns minutos quando ela me viu com uma lasca de carne na mão. Já sabia para quem era. Não se fez de rogada. E como se nada houvesse acontecido, ventaneou o rabo em minha direção e veio toda faceira, com aquele riso na cara-de-pau, inconfundível...
De que vale a vida
para quem não sabe o valor de amar e ser amado?
para quem não sabe o valor de amar e ser amado?
