Sabe...
Neste mundo tão conturbado em que vivemos, você é uma pessoa especial... Não fala muito nem liga em se mostrar, mas sempre marca sua presença... Porque você, minha pequena, tem o dom nobre do AMOR! Sentimento lindo que nunca se degenera com o tempo, pois é ETERNO...
Você ama os animais e as pequeninas coisas em sua essência mais íntima e as compreende, simplesmente, por ter o espírito afinado com a Palavra de Deus. Este Deus que te ama e te dá a LUZ todos os dias. Que te compreende acima de todas as coisas e sabe que de teu amoroso ser emergem sentimentos puros e íntegros dos quais nunca virás a envergonhar-te...
Tenho uma ligação tão terna com você. Só sinto pena não nos vermos todos os dias, mas isso pouco importa. Aprendi, com o tempo, que a distância nunca afasta as pessoas, a não ser que elas permitam... E ao poucos, doce menina, fui percebendo em você o reflexo da menina que eu fui um dia... Não exatamente "igual", mas muito, muito parecidas...
Tua contemplação das coisas do mundo e da vida. Teu imergir na fantasia dos sonhos, fazem-me perceber que nossos caminhos não se cruzaram por acaso! Há sempre uma razão de ser para todas as coisas que ocorrem debaixo deste céu, mesmo que se desconheça o propósito para a existência das mesmas...
Esta noite, Isabela, sonhei contigo; nós duas sentadas num banquinho da praça. Aacho que era aquela de São Lourenço onde encontramos o cãozinho preto que ficou todo feliz por brincarmos com ele, lembras? E conversávamos alegremente sobre tantas coisas...
Mas no sonho, eu não era velha e nem você adolescente; éramos meninas da mesma idade e falávamos de bonecas e de borboletas... Estávamos, as duas, de vestido plissado; o meu era vermelho de bolinhas brancas e o teu era pink e todo florido... Nosso cabelo era comprido e estava preso por duas tranças: eu com laços brancos nas pontas, e você com laços cor-de-rosa. Lindas de viver!
De repente, uma das borboletas começou a dar voltinhas nas flores de teu vestido, como se ele fosse um jardim... E atrás dela vieram as outras e mais outras... E o teu vestido, Bela, ficou todo rebordado de flores e de borboletas!
Por um momento, pensei estar sonhando num mundo todo encantado onde as coisas tomam a forma real e saem fazendo tudo o que desejam... Começamos a pintar patinhos na água do lago e eles saíam rodopiando até os perdermos de vista... desenhamos, nas folhas, algumas gotas de orvalho que serviram para nos matar a sede... Não a sede do corpo, mas do espírito.
Mais adiante, no meio do sonho, viramos minúsculas criaturas, achamos duas folhas à sombra de uma roseira e nos deitamos para descansar ouvindo o trinado baixinho dos pássaros que nos embalou o sono... Só então, Bela querida, percebi que era um sonho mesmo! E como este sonho me deixou feliz nesta manhã de domingo!

